sábado, 17 de janeiro de 2015

WHY?!

Porquê?!
A resposta é simples.

Quando perguntam porque é que eu ainda pratico Ashtanga Yoga, lembro-me sempre destas imagens, dos alunos a praticarem e da luz do sol a entrar pelas janelas altas do Shala, produzindo o reflexo das suas sombras. Ali estão eles, eu, nós, de frente para nós mesmos.

Sim, é por isso é que ainda pratico Ashtanga Yoga, porque todos os dias estou de frente para mim mesma.
Mesmo quando não quero, ou não me apetece. Ali, estamos de frente para nós mesmos, para bom e para o mau.
Boas práticas!
*foto retirada do nosso arquivo pessoal

*******Why?! The answer is simple.

When people ask me, why I still practice Ashtanga Yoga, i  always remember these images, the students practicing and the sunshine streaming through the Shala high windows, producing a reflection of their shadows. There they are, there i am, there you are, facing ourselves.

Yes, that's why i still practice Ashtanga Yoga, because every day I am facing myself.
Even when I do not want, or i do not feel like it. There, we are facing ourselves, for good and for the bad.
Happy practicing!
*photo from our personal archive

domingo, 4 de janeiro de 2015

BCN+ASHTANGA YOGA




Se pondera fazer uma pausa no trabalho para viajar para algum lugar onde possa visitar e manter a sua prática de Ashtanga Yoga, deverá adicionar Barcelona à sua lista. A cidade só por si vale a pena, seja pelos aspectos históricos, culturais, artísticos, arquitectónicos e porque existem opções de escolas e bons professores de Ashtanga Yoga. Seja para conhecer de perto os maiores exemplos do modernismo arquitectónico Catalão, perdendo-se com as formas, os materiais e a fluidez de Gaudi, ou para entrar na Fundação Joan Miró e deixar-se levar pelos quadros que exprimem um mundo de subjectividade, de imaginação, de transposição do suposto.
Mas se não quer perder tempo nas filas de entrada da La Pedrera, da Sagrada Família, do Museu Picasso, tem a opção de simplesmente caminhar pelas ruas da cidade, descarregue para o seu telefone o mapa da cidade e  traga sapatos confortáveis porque no final do dia, o mais provável foi ter percorrido kms.  Há toda uma experiência de viver esta cidade, de passear pelo Bairro Gótico, de perder-se nas Ramblas, ou de encontrar o mar em Barceloneta. Para quem gosta de comer saudável,  existem óptimas soluções, desde a comida típica dentro dos vários mercados, como o Boqueria, a uma variedade de restaurantes como os de Teresa Carles, www.teresacarles.com, com pratos vegetarianos de pedir por mais e sumos com receitas que irá querer apontar, mas faça primeiro reserva para garantir que não tem de aguardar muito tempo, pois normalmente estão sempre lotados.
Para quem transportou o seu Yoga mat,  vá a www.kpjayi.org, selecione a lista de professores e o país, Espanha. De acordo com a localização de onde está a ficar, escolha o professor e a escola, pesquise os horários das aulas, mande um email ou ligue e aproveite para praticar o seu Ashtanga numa nova comunidade de pessoas, que como eu e você, estendem o tapete para procurarem uma forma de conexão entre respiração, corpo e mente.
Bom Ano!
Boas práticas!

*fotos retiradas de arquivo pessoal


********If you are considering making a break from work to travel to some place where you can visit and maintain your practice of Ashtanga Yoga, you must add Barcelona to your list. The city itself is worth, is it for historical, cultural, artistic, architectural and because there are options of schools and good teachers of Ashtanga Yoga. Is to get to know the greatest examples of Catalan architectural modernism, losing yourself  to the forms, materials and the fluidity of Gaudi, or to enter the Joan Miró Foundation and get lost by the paintings that express a world of subjectivity, of imagination, of supposed transposition.
But if you do not want to waste time in the entrance queues of La Pedrera, Sagrada Familia, Picasso Museum, you will have the option of simply walk through the streets, download to your phone the city map, bring comfortable shoes because at the end of the day, the more likely it is that you walked quilometers. There is a whole experience of living this city, strolling through the Gothic Quarter, losing yourself in the Ramblas, or finding the sea in Barceloneta. For those who like to eat healthy, there are optimal solutions, from the typical food within various markets such as the Boqueria, to a variety of restaurants such as Teresa Carles, www.teresacarles.com, with vegetarian dishes to ask for more and juices with recipes that you will want to point, but make reservation first to ensure that you don´t have to wait long, as they are usually always crowded.
 For those who carried your Yoga mat, go to www.kpjayi.org, select the list of teachers and the country, Spain. According to the location of where you are staying, choose the teacher and the school, search for the class schedules, email or call and take the opportunity to practice your Ashtanga, in a new community of people, that like you and me, extend the mat to find a way of connecting breath, body and mind.
Happy New Year!
Happy practicing!


* photos from personal archive


sábado, 27 de dezembro de 2014

BEAUTY




 Pelas janelas do Shala vejo a linha horizontal de laranja e amarelo sobre o azul do mar. Inevitavelmente relembro a sensação de colocar no meu dia-a-dia as lições da prática. Parece-me que por vezes deixamo-nos levar pelo frenesim mental e emocional endurecido pela capa rija de medo e insegurança. A nossa voz interna pede calma, serenidade, mas agimos no e pelo impulso, perdendo a lição sobre o desapego e a vivência do momento.

Batemos com cabeça, vezes e mais vezes, lutando contra a oportunidade de superação de medos e de transformação de estruturas e padrões construídos ao longo de anos, e lá vamos sofrendo mais um pouco. Só depois da cabeça doer e de levantarmos os olhos para lá do nosso umbigo, reparamos na beleza lá fora, no nascer do Sol, ou nas cores do céu, e na imediata consequente mudança da nossa respiração e na transmutação da nossa energia. Parece-me que tudo é alterado se pararmos de lutar, se dermos oportunidade de, sem fugir e sem tentar nada, sentir exactamente aquilo que provoca dor, incomodo, sufoco, ansiedade, medo.

Depois mais cedo ou mais tarde, lá subimos ao tapete, ritmamos a entrada e saída de ar, limpamos a mente do que foi vivido por dias, largando o stress e a compressão e tudo entra num outro modo, o coração talvez continue pesado, a mente talvez procure ainda pensar, analisar e reflectir, mas damos inicio à nossa prática, que concebe a oportunidade de relaxarmos, de restituirmos foco, concentração e de munirmo-nos de confiança. Lá fora o sol começa a surgir, cá dentro há calor, pessoas como eu e tu, a procurarem pela prática um estado interno que possamos utilizar para lá dos limites do nosso tapete e para lá daquilo que tínhamos como limites pessoais.

*******From the windows of the Shala i see the horizontal line of orange and yellow on the blue sea. Inevitably i remember the feeling of putting on my day to day the lessons of the practice. It seems to me that sometimes we get carried away by mental and emotional frenzy hardened by a tough cover of fear and insecurity. Our inner voice calls for calm, serenity, but we act in and for impulse, losing the lesson about letting go and living the moment.

We hit with the head, again and again, fighting the opportunity to overcome fears and transformation of structures and patterns built up over years, and we suffer more. Only after the head hurt, we raise our eyes beyond our navel, and we notice the beauty out there, the sunrise, or the colors of the sky, and the immediate consequent change in our breathing and the transmutation of our energy. It seems to me that everything change when we stop fighting, when we give the change to, without running away and without trying to do anything, feel exactly what causes us pain, discomfort, breathlessness, anxiety, fear.


Then sooner or later,  we step on our mat, we give a rhythm to the entry and exist of air, cleaning the mind from what we experienced for days, releasing stress and compression and it seems that everything goes in another way, the heart may still be heavy, the mind may still want to keep thinking, searching, analyzing and reflecting, but we start our practice, which gives us the opportunity to relax, to bring back focus, and concentration, giving us confidence. Outside the sun begins to emerge, inside there is heat, people like you and me, searching by the practice an internal state that we can use beyond the limits of our mats, and beyond what we had as personal boundaries.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Peace through the Ashtanga practice

Lá fora estava um dia cinzento a demarcar o quase inverno português, com vento e chuva que de tempo em tempo tocavam as janelas da sala. A casa estava cheia, não havia espaço para mais tapetes, mas existia um silêncio típico de uma aula de Mysore, que era somente interrompido pelos sons das respirações e dos movimentos de cada um dos praticantes experientes, que no seu próprio ritmo entravam e saiam de cada uma das posturas. 
A aula lá ia decorrendo comigo a ajustar sempre que necessário e a aconselhar e a dirigir os iniciantes. Até que escuto no inicio da sala um dos alunos a resmungar alguma coisa que não entendo à primeira, chego-me perto e em voz baixa pergunto o que se passava. Ele nada em voz baixa, afirma, "Não consigo praticar! Aquele homem ali, está sempre a "lixar-me"!" Eu fico de boca aberta, em anos de ensino nunca tinha acontecido uma destas,  recupero da surpresa e respondo, "foca-te na respiração, esquece isso. Aqui não interessa isso, faz a tua prática." E afasto-me, para ir ajustar outro aluno, mas reparo que o anterior embora calado e visivelmente a tentar praticar, estava completamente enraivecido. 

Mais tarde percebi que isto se deveu ao facto, de que entre posturas tinha identificado no meio da sala, outro praticante que era o seu maior concorrente profissional. Continuei a vê-lo a tentar, de quando em quando abanava a cabeça, como que a afastar os pensamentos e os sentimentos de dentro da sua mente. Acabou por fazer-me sinal que não conseguia mais e quando caminhava em direcção à saída, tinha um ar abatido e olhar sofrido. O outro continuou a praticar, não sei até que ponto o constrangimento da situação o afectou, mas a aula decorreu com a mesma tranquilidade anterior a esta situação. 
Esta casa é neutra, é um espaço para praticar Ashtanga Yoga, e acredito que pela prática há centenas de oportunidades para fazermos pazes com o nosso passado, darmos novo rumo ao nosso presente e produzirmos um futuro assente em integração, neutralidade e relatividade. Se dentro do Shala, em plena prática formos confrontados com determinados pensamentos, sentimentos e sensações que criam raiva, distracção, irritabilidade, é aproveitarmos de perto estas situações e olharmos mais para dentro de nós mesmos,  e respirarmos, sairmos da postura, entrarmos na próxima e deixarmos que o processo de limpeza física, mental e emocional aconteça. Seja por ter ao lado aquela pessoa que nos magoou, ou seja por ter ao lado o nosso melhor amigo, a nossa irmã, o nosso marido, ou apenas uma pessoa que por quem temos simpatia, em ambos os opostos, devemos tentar focarmos na respiração e deixarmos que a mente e o coração sosseguem. 
Boas práticas! 

Outside it was a gray day the almost Portuguese  winter, with wind and rain from time to time blew the room windows. The house was full, there was no room for more mats, but there was a silence typical of Mysore class, which was only interrupted by the sounds of each breathing and movements of experienced practitioners, which at their own pace drifted in and out of each of the postures.
The class was happening with me adjusting when was necessary and advising and directing the beginners. Until I heard at the beginning of the room,  one of the students muttering something I didn't understand at first, I came close and quietly asked what was going on. He said not quietly, "I can not practice! That man there is always "sanding me"!" I stand open-mouthed, in years of teaching it  had never happened something like this, i recovered from the surprise and respond, "focus on your breath, forget it. Here that does not matter, do your practice." And I left,  i went to adjust another student, but I notice that although the previous was silent and visibly trying to practice, he was completely enraged.

Later I knew that this was due to the fact that between postures  he had identified in the middle of the room, another practitioner who was his greatest professional competitor. I continued to see him trying,  from time to time he would shake his head, as if to ward off thoughts and feelings from within his mind. He ended up making me a sign that could no longer continue, and when he walked towards the exit, he had a haggard and suffering look. The other practitioner continued to practice, i do not know to what extent the awkwardness of the situation affected him, but the lesson was held with the same tranquility previous to this.
This home is neutral, is a space to practice Ashtanga Yoga, and believe the practice creates hundreds of opportunities for us to make peace with our past, giving the possibilities to draw a new direction to our present and producing a future based on integration, neutrality and relativity. If within the Shala in full practice we are faced with certain thoughts, feelings and sensations that create anger, distraction, irritability, we should take closely this opportunity and look deeper into ourselves, and breathing we leave the pose, we enter on the next, letting the process of physical, mental and emotional cleaning happen. And if next to us is a person who hurt us, or we have our best friend, our sister, our husband, or just a person for whom we have sympathy, in both opposites, we should try to focus on the breath  and let the mind and heart at rest. 
Happy practicing!

domingo, 30 de novembro de 2014

HAMISH HENDRY INTENSIVE ASHTANGA YOGA, ON 27th, 28th FEBRUARY & 1st MARCH, IN ASHTANGA CASCAIS, ESTORIL, PORTUGAL


Teremos a honra de receber na nossa casa de prática, o terceiro Intensivo de Ashtanga Yoga com Hamish Hendry, nos dias 27 e 28 de Fevereiro e 1 de Março. Guardem estas datas e aproveitem para estudar com um dos professores mais reconhecidos da comunidade Ashtangi Internacional. Serão três dias de prática e alguma teoria que ajudará a aprofundar o seu entendimento e vivência em cima do seu tapete. O Intensivo está aberto a praticantes iniciantes e mais experientes.  Mais informações e inscrições em, ashtangacascais@gmail.com.

We will have the honor of welcoming at our practice house, the third Ashtanga Yoga Intensive with Hamish Hendry, on 27th and 28th February and 1st March. Keep these dates and take the opportunity to study with one of the most recognized teachers of theAshtangi International community. There will be three days of practice and some theory that will help deepen your understanding and experience on top of your mat. The Intensive is open to beginners and more experienced practitioners. More information and registration in ashtangacascais@gmail.com.






domingo, 2 de novembro de 2014

...breath and keep trying...

Quando começamos a aprender a surfar, não conseguimos à primeira, remar até lá fora, ou apanhar a onda que decidimos, ou colocarmo-nos de pé na altura certa e deslizarmos com fluidez, coordenação e mestria. Normalmente implica vezes e vezes sem conta, dias e dias, meses, para encontrar equilíbrio quando estamos deitados sobre a prancha, ganharmos remada suficiente para chegar às espumas, apanhar a massa branca de água e com destreza e coordenação executar a posição correcta para o "take-off", para logo a seguir repetir tudo outra vez.

Talvez pareça fácil e talvez para alguns seja fácil, uma aprendizagem nada morosa ou dolorosa, em que cada vez que entram para dentro de água, tudo flui, tudo é coordenado, tudo parece exponencialmente simples. Mas a grande maioria das pessoas, leva tempo para assimilar os pequenos aspectos desta arte de surfar. Necessitam de repetir e repetir, de remar e superar as espumas, de aprender a passar por debaixo das ondas, no tal do "duck-dive", de ganhar "braços" para aguentarem as tareias físicas que é estar em cima da prancha e chegar ao "outside", de competirem com as dezenas de pessoas que enchem o mar das nossas praias, de apanharem a onda e tentar conseguir fazer umas esquerdas, ou direitas. Talvez  para alguns este processo tenha sido fácil, mas a maioria necessitará de tempo, de dedicação, de perseverança, de foco, de capacidade respiratória, de flexibilidade, de equilíbrio, de agilidade e coordenação.

E tudo isto para contar do surfista que estava em cima do tapete, que faz surf há anos, ondas grandes, em picos conhecidos por serem ondas fortes, tubulares, intensas e diz-me em plena aula de Ashtanga, baixinho, em tom de desabafo, com a respiração a mil, "epá Vera, eu não consigo fazer isto...". Está exactamente na tal postura que parece que já detesta, aquela que lhe cria visíveis dificuldades na respiração, que o faz ficar vermelho do esforço, que notoriamente parece fazê-lo sentir desengonçado. E eu digo-lhe, baixinho, "respira e tenta"....

Este Ashtanga é como os primeiros meses a aprender a surfar, tentamos vezes sem conta e quando damos por ela, já estamos a fazer a postura com a respiração estável e ritmada, movemo-nos com fluidez de posição em posição, sem esforço demarcado. Só precisamos de respirar e de continuar a tentar...

******* When we begin at first to learn to surf, we could not even paddle out there,  or catch the wave that we've decided, or to put us up at the right time, and move with fluidly, coordination and mastery. Usually it  imply trying over and over again, days and days, months, to find balance when we are lying on the board, to gain sufficient forces to reach the foam, catch this mass of white water and with dexterity and coordination perform the correct position for the "take-off"m and right after repeat all over again.

It may seem easy and maybe for some it is easy, a learning process that doesn't take time and it is not painful, where every time you enter into the water, everything flows, everything is coordinated, everything seems exponentially simple. But the vast majority of people, it takes time to assimilate the smaller aspects of the art of surfing. Need to repeat and repeat, rowing and overcome foams, learn to pass beneath the waves in a "duck-dive", winning "arms" to withstand the physical beatings which is to be on the board and get the "outside", to compete with the dozens of people that fill the sea from our beaches, to catch the wave and try to get some lefts or rights. Maybe for some this process has been easy, but most will require time, dedication, perseverance, focus, breathing capacity, flexibility, balance, agility and coordination.

All this to tell you about the surfer who was on the mat, that  surf  for years, big waves, in peaks known to be strong, tubular, intense waves and tells me in the middle of the Ashtanga class, quietly, in a tone of relief, breathing fast, "Vera, I can not do this ...". He is exactly in a posture that it seems he already hates, one that creates him visible difficulty in breathing, which makes his face red by the
physical effort, which noticeably make him feel awkward . And I tell him, softly, "breath and try" ....


This Ashtanga is like the first few months to learn to surf, we try again and again and when without noticing, we are already making the pose with the steady and rhythmic breathing, moving with  fluidly from position to position without demarcated effort. We just need to breath and keep trying...

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Take a breath...

Depois de mais um dia de trabalho, sentada durante horas ao computador a organizar as três novas campanhas da agência, tudo o que me apetecia era entrar naquele espaço, onde deixo os sapatos à entrada, coloco o tlm no silencio, caminho descalça e troco para a minha roupa de prática. Assim que piso o tapete e começo a minha prática, sinto que saem da minha cabeça os telefonemas do cliente A e B que pediu as alterações ao trabalho que já entregámos, desaparece da mente o olhar e a expressão de reprovação do meu director criativo quando apresentei a proposta hoje de manhã, desvanece quase integralmente as preocupações com a Maria e as negativas constantes a matemática, e tudo o resto que andou comigo durante todas as horas daquele dia.

Faz-se silêncio, escuto apenas  o som da minha respiração e os sons dos outros praticantes que como eu, estão ali em cima dos tapetes a encontrarem um corpo e uma mente que se perde no dia-a-dia de funções, responsabilidades e pressões. Encaixo as posturas e as transições entre estas na minha respiração, e na extensão de cada uma das minhas respirações nasce maior silêncio e distanciamento das preocupações de à pouco. Enquanto entro, permaneço e saio de cada uma das posições, crio harmonia ao unir o meu corpo, esta mão que é a minha mão há 45 anos, este dedo do pé que também cá anda ao mesmo tempo, vejo estas partes do meu corpo que fazem parte de mim desde sempre, mas que aqui, que ali, sinto-as mais vivas. Vou sentindo gradualmente uma união, uma  sintonia de corpo e mente tão oposta aos meus dias fora desta sala, quando dentro do carro, logo pela manhã enfrento o trânsito da A5, ou quando tento dar "vazão" a todos os trabalhos que a agência me apresenta, etc.

Uma correria que muitas vezes só pará, quando me vejo aqui em cima deste tapete, aqui tudo fica relativo, aqui tudo me oferece uma nova perspectiva, uma nova respiração, um novo ritmo. Aqui acalmo, aqui sinto mesmo os meus pés, estas duas pernas, este tronco e cada parte de mim.

*******
After another day of work, where I sat for hours at the computer to organize three new campaigns for the agency, that everything want was entering in that space, where i leave my shoes at the entrance, put the cell phone in silence, walk barefoot and change for my clothing practice. Once  i am on the  mat and start my practice, I feel leaving my head the phone call of  the customer A and B  who requested the changes to the work that we already delivered, disappears from my mind the look and expression of disapproval of my creative director when in the morning I presented the proposal, almost entirely fades the concerns with Maria and the constant mathematic bad grades, and everything else that was with me during all hours of the day.


There I find silence, i only hear the sound of my breathing and the sounds of other practitioners that  like me, are there upon the mat to find a body and a mind that is lost in the day-to-day functions, responsibilities and pressures. I  Fit the postures and transitions between these on my breathing, and the extension of each of my breath bring quiet and detachement from the past concerns. As I enter, remain and leave each position, i  create harmony by uniting my body, this hand is my hand for 45 years, this toe that also is here see ever, while I see these parts of my body that are part of myself, but here, there, I feel them more alive. I gradually feel a union, an alignment of body and mind so opposed to my days outside this room, when in the car, in the morning I face the A5 traffic, or when I try to deliver all the work that the agency ask, etc.

A rush that often only stop when I find myself up here on this mat, here everything is relative, here everything gives me a new perspective, a new breath, a new rhythm. Here I calm myself, here I feel my feet, these two legs, this trunk and every part of me.

domingo, 12 de outubro de 2014

Who would say?!

Estava a retomar a prática, depois das férias de verão. Só reparei na falta que o Ashtanga e que aquele lugar me fez, quando regressei. E que falta! Mesmo com as dores musculares de estar a retomar, mesmo com estes dois quilos a mais, fruto de algum descuido alimentar, dos jantares até tarde com a família e os amigos, dos dias estendidos ao sol nas praias a Sul, das cervejinhas a mais no final do dia, enfim...férias de verão... Se pratiquei algum dia? Levei o tapete, assim como a velha prancha de surf, misturados na mala do carro com os brinquedos dos meus filhos, as pás e os baldinhos da praia, a bicicleta da mais pequena. Mas praticar? Não, não pratiquei, à professora disse que sim, que pratiquei pelo menos 3x, não tive coragem de dizer que não, mas parece-me que durante a primeira aula, ela deve ter reparado na mentira, porque o corpo custou a dobrar.

Quando estava a sair de mais uma das aulas, ainda com o cabelo molhado, arrastando os pés pelo chão de madeira e desviando-me dos tapetes e dos praticantes que ainda estavam na sala, ela disse-me, "até amanhã. A
manhã vem á aula, começamos às 6.30. Tenta vir. Acordas mais cedo e começas o dia com a tua prática!" Eu não disse que sim nem que não, não disse nada, já tinha mentido com a cena de ter praticado nas férias, não ia dizer-lhe que ia, quando tudo em mim, respondia, "deve ser doida, acordar às 5.30 para estar estar aqui para uma aula às 6.30 da manhã?!" Sorri e saí.

Cheguei a casa, ajudei a Raquel com os jantares e as dormidas das crianças. E quando estávamos só os dois, contei-lhe do episódio da aula, da professora aconselhar para ir amanhã à tal Guiada, expliquei à Raquel a diferença entre o que fazia durante a semana e essa aula de Sexta-feira e para surpresa minha, disse-me para ir, que se safava sozinha com as preparações dos miúdos para a escola e que eu fosse. O despertador não chegou a tocar, acordei sozinho uns minutos antes do alarme, mexi-me devagar pela casa para não acordar ninguém, deixei um "obrigado" escrito num papel para a minha mulher. Estava escuro lá fora, eram 6.10 da manhã. O corpo parecia uma barra de cimento, não mexia para nenhum lado e pensei para mim mesmo, que aquilo de praticar logo cedo ia correr muito mal.
 

Cá fora já estavam uns quantos sapatos, haviam então outros como eu, que decidiram acordar cedo e vir à aula. Vi outros a chegarem, uns com cara de sono, pareciam acabados de se levantar, outros visivelmente com mais energia. 

Começou com o mantra inicial às 6.30, pareceu mais intenso que nas aulas da tarde, e conduziu-nos pela prática. Tinha voz forte, instigando a mantermos a concentração, a aumentarmos o equilíbrio  entre a respiração e os movimentos, éramos levados postura atrás de postura. O calor da sala aumentou rápido, o calor dos corpos também, não houve tempo para me queixar das dorzinhas musculares, não houve tempo para pensar nisto ou naquilo, atrás de uma respiração fazia a próxima, atrás de um movimento vinha outro. A hora e meia passou, com intensidade, quando me deitei para descansar estava com o corpo molhado de transpiração e com um sorriso nos lábios.
Quando saí, sorri-lhe e agradeci.
Aula Guiada às 6.30! Eu? Quem diria?!

*******I was returning to the practice after the summer vacation. I Just noticed how much I missed Ashtanga and that place when I returned to it. And I really missed it! Even with the muscle pain of coming back to it, even with more these two pounds, the result of some carelessness food, late dinners with family and friends, the days basking in the sun on the beaches of the south, of the beers in the end of the day, well ... summer vacation ... If practiced someday? I took the mat, as well as the old surfboard, mixed in the trunk with the toys of my children, shovels and buckets to the beach, the bike of my smallest daughter. But practice? No I didn't practice, to the teacher I said yes, that I practiced at least 3 times, I had not the courage to say no, but I think during the first class, she must have noticed the lie, because the body did not bend at all.

When I was leaving the room from another class, she told me, "see you tomorrow. Come tomorrow, we will started at 6:30. Try to come. You will wake up earlier and start the day with your practice!" I did not say yes or no, didn't say anything, i had lied, when I said I had practiced on vacation, I would not tell her I was going to come to class, when everything in me, answered, "you must be crazy, waking up at 5:30 to be be here for a class at 6.30 in the morning?" I smiled and left.

I came home, helped Rachel with dinners and sleep of our children. And when we were only the two, I told her about the class episode, the teacher advinde  me tomorrow to go to the Guided class, I  explained the difference between what i do during the week and this Friday class and for my surprise, she  told me to go, that she would  prepare by herself the kids to school. The alarm clock did not ring, I woke up alone a few minutes before the alarm, shifted me slowly through the house not to wake anyone, left a "thank you" written on a paper for my wife. It was dark outside, was 6:10 in the morning. The body looked like a bar of cement, did not move to anywhere, I thought to myself, that this thing of  practicing so earlier, it was going to be difficult. 

Outside were already a few shoes, so  there were others like me who decided to wake up early and come to class.  I saw other students arriving, some with sleepy faces, seemed to just had woke up, others visibly more energetic.

She Began at 6.30 with the initial mantra, which seemed more intense than in the afternoon classes, and led us through the practice. Had a strong voice, instigating for maintaining concentration, to increase the balance between breathing and movements, she direct us posture by posture. The heat of the room rose fast, the body heat also, there was no time to complain of muscle pain, there was no time to think of this or that, after the one breath I was making the next, behind a movement came another. The hour and a half passed with intensity, and when I lay down to rest, I  was wet with perspiration, and with a smile in my face.
When I left, I smiled and thanked her.
Guided class at 6:30am! Me? Who would say?!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ASHTANGA YOGA INTENSIVE WORKSHOP WITH MANUEL FERREIRA, 24, 25, 26thOCTOBER


Nos próximos dias 24, 25 & 26 de Outubro, o Ashtanga Cascais irá receber mais um Intensivo de Ashtanga Yoga. Desta vez contaremos com a presença e experiência de um professor português, reconhecido e muito querido pela nossa comunidade. 
Será um final de tarde e duas manhãs de prática e teoria focada na arte da respiração como forma a promover maior profundidade na execução das posturas e nas transições entre estas. Aproveitem estes dias para reverem, ou conhecerem pela primeira vez, e estudarem com o professor Manuel Ferreira, aqui no Ashtanga Cascais. ❤️

Manuel Ferreira
Desde 2004 que estuda Ashtanga Yoga, no Shri K. Pattabhi Jois Ashtanga Yoga Institute (KPJAYI) em Mysore, Sul da India, para onde viaja anualmente, de modo a aprofundar os seus estudos. Actualmente está a aprender com o seu professor, Sharat Jois, a série Avançada A. 
É professor Autorizado a ensinar Ashtanga Yoga com reconhecimento do KPJAYI desde 2009. O seu ensino reflecte a tradição de Mysore, salientando o método de Ashtanga conforme aprendeu. 
Depois de ter sido co-fundador do Ashtanga Cascais Yoga Shala em 2007, onde leccionou por dois anos, ensinou em vários países, Filipinas, Malásia, Austrália, Canadá, Tailândia, Brasil, Noruega, Portugal,  Bélgica e Japão.
Contem com três dias de prática de Ashtanga Yoga, com um professor português, que explicará a arte de respirar, de sincronizar respiração, movimento e posturas, para uma prática forte, sólida e consistente de Yoga. 

Programa
Dia 24, Sexta-feira, 18.30
A Arte Da Respiração  - utilizando a respiração para criar transições suaves e estáveis em cada um dos Vinyasas. Começando pelo Surya Namaskar para aprender a adquirir um prática fluída. (2h)

Dia 25, Sábado, às 8h
Mysore Style - a forma tradicional de praticar Ashtanga Yoga, onde o professor trabalha individualmente com cada praticante.
Ás 11h,
Aprofundar As Posturas - com a respiração certa e coordenada, criamos estabilidade e maior compreensão nas posturas de pé e sentadas. "À medida que aprendemos a arte de usar a respiração com um asana, aprendemos a própria arte da respiração." Manuel Ferreira 
 (2h) 

Dia 26, Domingo, às 8h
Mysore Style
Ás 11h, 
Dúvidas, Perguntas & Respostas.

Mais informações e inscrições 
Ashtanga Cascais,
www.ashtangacascais.com
ashtangacascais@gmail.com
Facebook Ashtanga  Cascais 

On the next 24, 25 & 26th October, the Ashtanga Cascais will receive another Ashtanga Yoga Intensive. This time we will have the presence and experience of a portuguese teacher, who is recognized and well loved by our community. It will be one late afternoon and two mornings of practice and theory focused on the art of breathing as a way to promote greater depth in the execution of the postures and the transitions between these. Enjoy these days to meet again, or know the first 
time, and study with Manuel Ferreira, here in Ashtanga Cascais.❤️

Manuel Ferreira
Since 2004 he is studying Ashtanga Yoga at Sri K. Pattabhi Jois  Ashtanga Yoga Institute (KPJAYI) in Mysore, South India, where he travels annually to further his studies. He is currently learning with his teacher, Sharat Jois, Advanced  A series.

He is an Authorized teacher with KPJAYI  recognition to teach Ashtanha Yoga since 2009. His teaching reflects the tradition of Mysore, emphasizing the Ashtanga method as taught.

After being co-founder of Ashtanga Cascais Yoga Shala in 2007, where he taught for two years, he taught in several countries, the Philippines, Malaysia, Australia, Canada, Thailand, Brazil, Norway, Portugal, Belgium and Japan.

Count with three days of Ashtanga Yoga practice, with a Portuguese teacher who will explain the art of breathing, synchronizing breathing, movement and posture, for a strong, solid and consistent Yoga practice.

Program
Day 24th, Friday, 6.30pm
The Art Of Breathing - using the breath to create smooth and stable transitions in each vinyasas. Starting with the Surya Namaskar to learn how to purchase a fluid practice. (2h)

Day 25th, Saturday, 8am
Mysore Style - traditional form of Ashtanga Yoga practice where the teacher works individually with each practitioner.
11am Deepening The Postures - with the right and coordinated breathing, we create stability and greater understanding in standing and sitting postures. "As we learn the art of using the breath in the asana, we learn the art of breathing itself." Manuel Ferreira (2h)

Day 26th,Sunday, 8am
Mysore Style, 11am
Questions & Answers.

More information and registration
Ashtanga Cascais,
www.ashtangacascais.com
ashtangacascais@gmail.com
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